Incêndio lavra há mais 30 horas e colocou em risco várias casas na Chã, Alijó |  | Rádio Ansiães

Incêndio lavra há mais 30 horas e colocou em risco várias casas na Chã, Alijó

Tal como em Pedrógão, o sistema de comunicações de emergência SIRESP voltou a falhar ontem, em Alijó. O concelho do distrito de Vila Real onde um incêndio rural dado como dominado à hora do almoço se descontrolou pouco depois. Atingiu a aldeia de Chã, destruiu alguns carros e armazéns de arrumos, e obrigou à retirada de crianças e idosos por precaução. Pelo meio, um helicóptero do combate aéreo caiu durante uma manobra de reabastecimento na barragem de Vila Chã. O piloto sofreu escoriações ligeiras.

 

O fogo, que chegou lamber várias casas na Chã durante a tarde, tinha começado cerca das duas horas da madrugada, chegou a ter três frentes, mas ao fim da manhã já só era uma e à hora do almoço já era considerado controlado. Mas não tardou a descontrolar-se. E fê-lo com a voragem que o vento lhe imprimiu e que a secura das matas e o calor do dia facilitaram.

 

Ao final da tarde, ainda com as chamas por controlar, mas já fora da localidade, fazia-se um balanço provisório: vários imóveis de arrumos e algumas viaturas estacionadas em zonas com floresta ardidas, bem como idosos, acamados e crianças retirados de casa por causa do fogo.

 

A tarde foi de correrias e de aflições na povoação, mal o fogo descontrolado atravessou a largura da variante que liga Alijó ao IC5. Foi tudo muito rápido e a GNR teve, por várias vezes, de alargar o perímetro de segurança. "O fogo vem doido e não há quem o segure", chorava Olinda Teixeira, mãos juntas em sinal de prece. "Ai nossa senhora de Fátima nos acuda", repetia. 

 

Subitamente as chamas passaram a estrada que atravessa a povoação e foi ver mais moradores de mangueira em riste, como os pais de Cidália, ela própria atarefada a apagar as chamas no jardim do irmão. Pedro Santos tinha um monte de quase 300 toneladas de lenha junto à zona industrial de Alijó. Não ardeu todo, mas estima que o prejuízo ronde os 15 mil euros.

 

Um helicóptero ligeiro de combate a incêndios caiu ontem, pouco depois das 15:30 horas, durante uma manobra para encher o balde de água na barragem de Vila Chã, em Alijó. A Proteção Civil confirmaria pouco depois que o piloto da aeronave apenas sofreu "escoriações ligeiras", mas mesmo assim foi conduzido ao hospital por mera precaução.

 

Segundo aquela entidade, o piloto "acautelou os procedimentos de emergência previstos para responder a este tipo de situações", tendo sido "desligados os circuitos elétricos e de alimentação de combustível". Saiu da aeronave pelos próprios meios.

 

Entretanto, o Conselho de Administração da Everjets, empresa que opera os helicópteros ligeiros de combate aos fogos, anunciou que vai instaurar um inquérito para apurar as "circunstâncias do acidente" com o Ecureuil AS350B3 e garantir "a substituição do aparelho acidentado no dispositivo em alerta".

 

Durante a noite, o combate ao incêndio que lavra no concelho de Alijó foi reforçado com 150 bombeiros da zona sul do país, nomeadamente de Lisboa, Santarém e Setúbal, e ainda de Viana do Castelo. A informação foi avançada ao princípio da madrugada por Álvaro Ribeiro, o comandante da Proteção Civil do distrito de Vila Real.

 

Os grupos de reforço juntaram-se aos 330 operacionais que permaneciam no terreno e que contam com o apoio de 92 veículos. Estão a ser distribuídos pelas frentes de fogo que ainda estão ativas. Quatro máquinas de rasto foram também colocadas no terreno e durante a manhã desta segunda feira chegarão mais quatro máquinas cedidas pelo Exército.

 

Quanto às falhas da rede de comunicações de emergência SIRESP ocorridas durante a tarde e domingo, Álvaro Ribeiro admitiu que toda a sobrecarga de chamadas na rede "provocou falhas de comunicações em alguns pontos, mas nunca as inviabilizaram entre os meios, o posto de comando e os setores".

 

Quando confrontados com o "grande tráfego de comunicações", prosseguiu Álvaro Ribeiro, "foi pedido um reforço, cujo objetivo é fazer com que a rede possa responder a este grande fluxo provocado pelo grande número de operacionais".

 

O balanço final ainda não está feito, sobretudo na aldeia da Chã, a mais afetada pelas chamas durante a tarde de domingo, mas confirmou-se que arderam alguns armazéns e barracas de arrumos, bem como duas viaturas que estavam estacionados em zona com floresta. "Temos indicações que uma casa de habitação também foi afetada", esclareceu o comandante.

 

Durante a tarde deste domingo, cerca de 30 pessoas das aldeias de Chã, Vila Chã e Casas da Serra, foram retiradas de casa por precaução e foram transferidas para o pavilhão gimnodesportivo de Alijó. Ao fim da noite e passado o perigo, retornaram às suas casas "porque já existem condições de segurança para permanecerem nas suas habitações", salientou Álvaro Ribeiro. Tratavam-se, essencialmente, de crianças, idosos e acamados.

 

Sobre a razão porque um fogo que foi considerado dominado cerca das 13 horas de domingo e pouco depois se reacendeu com extrema violência, Álvaro Ribeiro respondeu que, dado que a ocupação do solo era contínua, com muitas resinosas e com muita manta morta antiga, "houve a perceção que se iriam ter reativações durante a tarde, em face das condições meteorológicas e da própria ocupação do solo". "Houve algumas reativações que conseguiram ser apagadas, mas três delas foram muito fortes e, apesar do grande esforço do pessoal no terreno e dos meios aéreos empenhados, não foi possível contê-las em zonas mito inclinadas e o incêndio fugiu ao nosso controlo", concluiu.

 

Texto e Foto: Eduardo Pinto

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