Alterações climáticas vão obrigar agricultores do Douro a adotar mudanças na vinha |  | Rádio Ansiães

Alterações climáticas vão obrigar agricultores do Douro a adotar mudanças na vinha

Plantações em cotas mais altas, preferência por castas mais resistentes e a implementação da rega são medidas que parecem ser inevitáveis

As alterações climáticas, cada vez mais notadas, vão mudar a paisagem do Douro.

 

O aquecimento global e a menor quantidade de precipitação vão obrigar os viticultores a adaptarem-se.

 

É um processo gradual e que só será evidente dentro de algumas décadas, mas a paisagem do Alto Douro Vinhateiro, que no passado dia 14 de dezembro de 2017 completou 16 anos como Património Mundial da UNESCO, tende a mudar por causa das alterações climáticas.

 

Anos como o de 2017 podem repetir-se cada vez com mais frequência, com implicações, sobretudo, na viticultura.

 

O docente e investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, João Santos, salienta que podem surgir mudanças, que exigem a adaptação das atividades da região:

 

 

Neste campo há muito a fazer, sobretudo, ao nível da investigação científica:

 

 

O investigador da UTAD nota que existe um leque muito variado de opções, que podem ser tomadas pelo setor vitivinícola e que podem permitir uma adaptação muito eficiente a novos climas futuros:

 

 

E isto cria uma importante possibilidade de adaptação:

 

 

Mas há também outras possibilidades:

 

 

Há igualmente muito trabalho a fazer ao nível da seleção das castas mais resistentes ao stresse hídrico:

 

 

A tudo isto pode ainda ser juntada a rega, admite o investigador da UTAD, apesar de poder não estar acessível a todos:

 

 

Estas opções são também defendidas por enólogos como Paulo Coutinho, da Quinta do Portal, em Sabrosa, e como por Francisco Ferreira, enólogo da Quinta do Vallado, na Régua.

 

Paulo Coutinho confessa que este ano acabou por ser um bom indicador das mudanças que aí vêm e da necessidade de os viticultores se adaptarem:

 

 

Daí que a rega seja uma das mudanças na região duriense em que é preciso começar a pensar a sério:

 

 

O problema que se coloca à partida, na questão da rega é saber se será viável no Douro:

 

 

Francisco Ferreira concorda com a rega e propõe também alterações de altitude e de exposição solar para a instalação da vinha:

 

 

Esta adaptação em termos de altitude e exposição solar já é uma realidade no Douro Superior, onde os verões são ainda mais quentes e chove menos:

 

 

O investigador da UTAD João Santos ressalva ainda que todas as medidas de adaptação vão depender muito da intensidade da alteração climática:

 

 

Temperaturas muito mais elevadas e menos chuva podem ser uma tragédia, até, a nível mundial:

 

 

O investigador conclui que as alterações climáticas devem ser vistas, não como um desastre, mas como um desafio:

 

 

As alterações climáticas fazem-se notar cada vez mais e vão obrigar os viticultores do Douro a adaptarem-se à nova realidade.

 

Peça: Rádio Ansiães

Foto: Eduardo Pinto

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